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Quem leu a entrevista de Alain Peyrefitte em República, e mais ainda quem conhece o seu La Societé de Confiance (Paris, Odile Jacob, 1995), deve também dar uma espiada no livro de Francis Fukuyama, Trus, The Social Virtues and the Creation of Prosperity (Nova York, Free Press, 1995), que, descontadas umas diferenças menores, defende essencialmente a mesma tese: a confiança entre as pessoas e grupos é a base do desenvolvimento econômico. Os dois livros saíram quase ao mesmo tempo, mas Peyrefitte já vinha enunciando sua idéia desde 1948, e é notável que Fukuyama nem de longe se dê conta de que entra na luta ká no quinto ou sexto round. Saímos da leitura imbuídos tanto de uma confiança na tese geral da confiança quanto de uma certa desconfiança na eficácia do intercâmbio internacional de idéias, que é, por ironia, a base da autoconfiança do consenso acadêmico. Não é de hoje que reparo nisso: os intelectuais de “Primeiro Mundo”, sentindo-se habitantes do umbigo universal, com muita desenvoltura se dispensam de ler o que se publica em outros países, e acabam se tornando vítimas de uma nova espécie de provincianismo. Estar perto do “centro de decisão”, afinal, até a camareira de Napoleão estava. OLAVO DE CARVALHO