A estrutura paradigmática da ciência

N’A estrutura das revoluções científicas, Thomas Kuhn descreve como surge uma ciência: um monte de gente fica tentando descobrir como uma coisa funciona a partir da sua própria experiência e escreve livros descrevendo isso. Cada um fala uma coisa completamente diferente, várias escolas de pensamento surgem e se combatem, até que por algum motivo uma mudança qualitativa aparece e faz com que todos concordem com uma base comum – exceto é claro os que não concordam e esses são sumariamente expulsos do convívio dos demais –, os vários grupos deixam de existir ou se reformulam para que suas teses específicas passem a ter como base aquele novo paradigma, e então todo mundo passa a se comunicar por artigos que pressupõem várias coisas que eles têm em comum, e não mais por livros que partem dos menores princípios e tentam explicar tudo.

É um belo paradigma para compreender como a ciência funciona, e explica o estado real das coisas muito melhor do que o vômito ideológico dos cientistas mirins da internet que repetem asneiras sobre o “método científico”.

mas o problema que me ocorreu foi: quem garante que esse paradigma representa realmente um avanço? Será que o desejo de concordar e se sentir incluído não foi o que fez com que todos os envolvidos o aceitassem? Não digo nem que essa nova descoberta esteja errada, mas ela – e sua aceitação como novo paradigma – criam um recorte da realidade dentro do qual aquela nova ciência que surge estará fadada a operar dali em diante, mas quem disse que esse recorte é mesmo o melhor lugar para que todos operem?

Talvez uma idéia melhor seria que as pessoas avaliassem aquele novo paradigma, mas não mergulhassem de cabeça nele.

Uma hipótese alternativa do porquê esse recorte e surgimento da ciência acontece: ela é mais fácil de ser abarcada pela burocracia universitária e empregar mentes medíocres na “pesquisa” uma coisa pequena e sem importância que já está ali dada pelo próprio conceito da ciência e não será nenhuma descoberta nova.