Um algoritmo imbecil da evolução

Suponha que você queira escrever a palavra BANANA partindo de OOOOOO e usando só alterações aleatórias das letras. As alterações se dão por meio da multiplicação da palavra original em várias outras, cada uma com uma mudança diferente.

No primeiro período, surgem BOOOOO e OOOOZO. E então o ambiente decide que todas as palavras que não começam com um B estão eliminadas. Sobra apenas BOOOOO e o algoritmo continua.

É fácil explicar conceber a evolução das espécies acontecendo dessa maneira, se você controlar sempre a parte em que o ambiente decide quem vai sobrar.

Porém, há apenas duas opções:

  1. Se o ambiente decidir as coisas de maneira aleatória, a chance de você chegar na palavra correta usando esse método é tão pequena que pode ser considerada nula.
  2. Se o ambiente decidir as coisas de maneira pensada, caímos no //design inteligente//.

Acredito que isso seja uma enunciação decente do argumento “no free lunch” aplicado à crítica do darwinismo por William Dembski.

A resposta darwinista consiste em dizer que não existe essa BANANA como objetivo final. Que as palavras podem ir se alterando aleatoriamente, e o que sobrar sobrou, não podemos dizer que um objetivo foi atingido ou deixou de sê-lo. E aí os defensores do design inteligente dirão que o resultado ao qual chegamos não pode ter sido fruto de um processo aleatório. BANANA é qualitativamente diferente de AYZOSO, e aí há várias maneiras de “provar” que sim usando modelos matemáticos e tal.

Fico com a impressão, porém, de que essa coisa só pode ser resolvida como sim ou não mediante uma discussão das premissas, e chega um ponto em que não há mais provas matemáticas possíveis, apenas subjetividade.

Daí eu me lembro da minha humilde solução ao problema do cão que aperta as teclas aleatoriamente de um teclado e escreve as obras completas de Shakespeare: mesmo que ele o faça, nada daquilo terá sentido sem uma inteligência de tipo humano ali para lê-las e perceber que não se trata de uma bagunça, mas sim de um texto com sentido para ele. O milagre se dá não no momento em que o cão tropeça no teclado, mas no momento em que o homem olha para a tela.

Se o algoritmo da evolução chegou à palavra BANANA ou UXJHTR não faz diferença pra ela, mas faz diferença para nós, que temos uma inteligência humana, e estamos observando aquilo. O homem também pensaria que há //algo// por trás daquele evento do cão que digita as obras de Shakespeare, e como seria possível alguém em sã consciência pensar que não?