Danilo acordou cedo

Danilo acordou cedo e saiu para pegar o metrô, trajava aquelas vestes que seus amigos chamavam de “roupa de comunista”, uma calça velha de brim, bege, uma blusa branca com uma logomarca vermelha - que não tinha nada a ver com comunismo - velha sob um paletó azul surrado e chinelo de dedo. Suas roupas eram todas parecidas entre si e, combinadas com sua barba malfeita castanha e seu olhar fundo típico de pessoas alcoolizadas, davam-lhe, realmente, um aspecto notório de comunista.

Quando o metrô parou na estação, Danilo entrou com sua mochila. Não havia assentos livres, mas ele já estava acostumado, aliás, até gostava de ficar em pé, para sentir melhor no rosto o vento que só vinha das janelas superiores do veículo. Colocou a mochila no chão e se segurou em uma das barras de ferro do veículo. Seus cabelos, apesar de curtos, balançavam em intrépidos estandartizados movimentos, como se dançassem o som de “One of These Days”.