Google, Uber e ostracismo

Pensando sobre como o Google poderia implementar uma solução “pure software” para o problema dos programinhas de carona paga – já que agora parece que o Waze vai virar tipo um Uber – me vi pensando em que poderia haver punições bastante severas e para-legais para infratores dos regulamentos internos do serviço.

Digamos, por exemplo, que é proibido pelas regras do serviço que o motorista ou o passageiro agridam um ao outro de qualquer maneira. Para ser qualificado como um potencial usuário, tanto o motorista quanto o passageiro devem ser usuários de longa data dos serviços do Google, possuir um email no Gmail com trocentas mensagens sendo recebidas e enviadas todos os dias, um enorme arquivo, coisas guardadas no Google Drive e/ou outros serviços do Google sendo usados. Caso o sujeito agrida o motorista, roube-o ou faça qualquer outra coisa não-permitida, o Google pode, imediatamente, cancelar seu acesso a todos os serviços. Depois, com mais calma, pode-se tentar alguma coisa por meio da justiça estatal, mas essa punição seria tão imediata e tão incondicional (bom, poderia haver um julgamento interno dentro do Google para avaliar o que aconteceu mesmo, mas pronto, nada de milanos na justiça penal e depois uma punição fajuta qualquer.)

Esse tipo de punição imediata já desencorajaria a maioria dos infratores, imagino eu. É a própria idéia anarquista da punição por ostracismo. O cara fica excluído da sociedade até que a sociedade (neste caso, o Google) decida perdoá-lo por qualquer motivo. A partir daí é possível imaginar que os outros vários “silos” deste mundo – Facebook, Vivo, Diamond Mall, SuperNosso – possam também aderir, caso concordem com o julgamento do Google, e vice-versa, e também impedirem o infrator de usar os seus serviços.

Mas o grande tchans disto aqui é que esse processo pode começar com um único agente, desde que ele seja grande o suficiente para que a sua ostracização, sozinha, já seja uma punição quase suficiente para o infrator.