Comprimido desodorante

No episódio sei-lá-qual de Aleixo FM Bruno Aleixo diz que os bêbados sempre têm as melhores idéias e daí conta uma idéia que ele teve quando estava bêbado: um comprimido que funciona como desodorante. Ao invés de passar o desodorante spray ou roll-on a pessoa pode só tomar o comprimido e pronto, é muito mais prático e no tempo de frio a pessoa pode vestir a roupa mais rápido, sem precisar ficar passando nada com o tronco todo nu. Quando o Busto lhe pergunta sobre a possibilidade de algo assim ser fabricado ele diz que não sabe, que não é cientista, só tem as idéias.

Essa passagem tão boba de um programa de humor esconde uma verdade sobre a doutrina cientística que permeia a sociedade. A doutrina segundo a qual é da ciência que vêm as inovações tecnológicas e de todos os tipos, e por isso é preciso que o Estado tire dinheiro das pessoas trabalhadoras e dê para os cientistas. Nesse ponto ninguém mais sabe o que é um cientista, foi-se toda a concretude, ficou só o nome: “cientista”. Daí vão procurar o tal cientista, é um cara que se formou numa universidade e está fazendo um mestrado. Pronto, é só dar dinheiro pra esse cara e tudo vai ficar bom.

Tirando o problema da desconexão entre realidade e a tese, existe também, é claro, o problema da tese: não faz sentido, que um cientista fique procurando formas de realizar uma idéia, que não se sabe nem se é possível nem se é desejável, que ele ou outra pessoa tiveram, muito pelo contrário (mas não vou dizer aqui o que é que era para o cientista fazer porque isso seria contraditório e eu não acho que devam nem existir cientistas).

O que eu queria dizer mesmo era: todo o aparato científico da nossa sociedade, todos os departamentos, universidades, orçamentos e bolsas e revistas, tudo se resume a um monte de gente tentando descobrir como fazer um comprimido desodorante.